02/05/2026
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Ronaldinho: alegria pura vira documentário na Netflix

Ronaldinho: alegria pura vira documentário na Netflix

A série documental sobre Ronaldinho Gaúcho, disponível na Netflix, foi assistida durante o feriado do Dia do Trabalho. A produção, de qualidade reconhecida, prende a atenção do espectador do início ao fim, tanto pelo personagem quanto pela forma como é feita.

O documentário enfrenta o desafio de condensar mais de duas décadas de história em poucas horas, o que aparece em alguns momentos. Ainda assim, o saldo é positivo. A série acerta ao mostrar que Ronaldinho não é apenas um jogador para ser analisado, mas um fenômeno para ser sentido.

Ronaldinho proporcionou alegrias em escala quase absurda. Alegria no sentido mais puro da palavra. Não era só eficiência ou talento, era prazer em jogar. Na história do futebol brasileiro, só Garrincha se aproximou tanto da capacidade de transformar o jogo em espetáculo espontâneo e diversão compartilhada com quem assistia.

A série captura essa essência. Mostra o Ronaldinho que encantou o mundo, redefiniu o que era possível fazer com uma bola e deixou marcas profundas por onde passou, não apenas nos clubes, mas também nas pessoas. O documentário reforça a veneração quase unânime que ele desperta entre jogadores.

Um dos pontos fortes é o reconhecimento vindo de dentro do futebol. O carinho e a gratidão de Lionel Messi são genuínos. Messi admite a importância de Ronaldinho no início de sua trajetória no Barcelona. A série trata essa passagem de bastão simbólica com sensibilidade.

O documentário não foge dos momentos difíceis. O episódio da prisão no Paraguai aparece como o ponto mais delicado da narrativa. Ronaldinho atravessa aquilo com distanciamento e leveza, mantendo traços do bom humor que sempre o caracterizou. É um retrato de alguém que lida com a vida sem perder a própria essência.

Há espaço para o lado mais íntimo, especialmente a relação com a família e com o irmão, elementos fundamentais na construção da carreira. Esse olhar humaniza ainda mais um personagem que, por vezes, parece quase folclórico.

O que fica é uma constatação: Ronaldinho é um caso raro de unanimidade afetiva. Ele não era apenas admirado, era querido. Em comparação com nomes da geração atual, Neymar divide opiniões, sendo amado por muitos e rejeitado por outros. Vinícius Júnior enfrenta uma campanha de racismo que impacta sua expressão em campo e fora dele. Nenhum deles transmite a leveza contagiante que Ronaldinho exalava naturalmente.

Ronaldinho tinha algo difícil de explicar e impossível de fabricar: ele se fazia amado, inclusive pelos adversários. Esse é o maior legado que a série resgata. Mais do que gols, títulos ou dribles, o que ele deixou foi uma sensação de alegria coletiva que atravessava rivalidades e transformava o futebol em algo maior.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

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