17/08/2026
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Lula e Trump: tarifas, guerra e ‘amor à primeira vista’ em reunião

Lula e Trump: tarifas, guerra e ‘amor à primeira vista’ em reunião

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. O encontro durou três horas e abordou temas como combate ao crime organizado, tarifas comerciais, minerais críticos e a relação com as big techs.

Ministros presentes avaliaram a reunião como positiva. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse Lula em entrevista coletiva na embaixada brasileira.

Um dos objetivos do governo brasileiro era entregar uma proposta de cooperação em segurança pública, incluindo o combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro. O documento foi entregue em inglês a Trump. “Ele disse que ia ler a proposta à noite”, afirmou Lula. O governo brasileiro teme que os EUA classifiquem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, mas Lula disse que o assunto não foi tratado na reunião.

Houve divergências sobre tarifas comerciais. Lula afirmou que o Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos e contestou o argumento de Trump de que haveria desequilíbrio favorável ao Brasil. “A média do imposto que nós cobramos é 2,7%”, disse. Para resolver o impasse, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho que, em 30 dias, apresente uma proposta para os dois presidentes.

Sobre eleições, Lula disse que não considera “boa política” a interferência de um presidente estrangeiro e afirmou que não acredita em influência de Trump nas eleições brasileiras. “Quem decide o destino do Brasil é o povo brasileiro”, declarou.

Lula entregou a Trump uma lista com nomes de autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos EUA, incluindo ministros do STF e a filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha. “Se ele não resolver, quando eu me encontrar com ele outra vez, entrego outra vez”, disse Lula.

Em relação a minerais críticos, Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser um “mero exportador” e que está aberto a parcerias com vários países, incluindo EUA e China. Sobre as big techs, Lula negou que o Brasil esteja proibindo plataformas americanas, mas defendeu a regulamentação soberana do país.

Lula se ofereceu para mediar conversas sobre Cuba e criticou o bloqueio econômico dos EUA à ilha. Segundo ele, Trump sinalizou que não pensa em invadir Cuba. “É um sinal importante”, afirmou Lula.

Em um momento de descontração, Lula brincou com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo que ele não anule os vistos dos jogadores brasileiros. “Nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse Lula, que relatou que Trump riu. Durante o almoço, Trump reclamou que não gosta de laranja na salada e foi visto tirando a fruta do prato. Lula classificou a relação com Trump como “amor à primeira vista”.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

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