16/05/2026
Jornal da Bahia»Notícias»Norma de saúde mental no trabalho gera polêmica entre empresas

Norma de saúde mental no trabalho gera polêmica entre empresas

Norma de saúde mental no trabalho gera polêmica entre empresas

Uma norma que obriga as empresas a monitorarem os riscos à saúde mental dos seus funcionários, prevista para entrar em vigor no próximo dia 26, vem preocupando entidades empresariais. Elas alegam falta de clareza na aplicação das regras, risco de judicialização e prejuízo a pequenos negócios.

A medida foi baixada pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em 2024. Ela prevê que as empresas façam uma avaliação preliminar sobre as condições de saúde mental dos funcionários, além de identificar e eliminar potenciais riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Trata-se de uma reformulação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que gerencia riscos laborais como perigos químicos, físicos e biológicos. Os fatores psicossociais foram incluídos apenas em 2024, por meio de portaria do MTE.

A mudança prevê que auditores-fiscais do trabalho avaliem como as empresas atuam na gestão da saúde mental dos funcionários, sem distinção de pequenas e grandes empresas. O entendimento do ministério é que os riscos psicossociais têm relação com a organização do ambiente laboral e são resultado de problemas na gestão do trabalho, capazes de gerar transtornos como ansiedade, depressão e burnout.

Em um guia publicado no ano passado, a pasta lista possíveis fatores de risco, como falta de clareza no papel do funcionário, excesso ou falta de demandas, ausência de recompensas e carência de suporte. Para se adequar, o guia recomenda medidas como observação da atividade, oficinas e pesquisas com os funcionários. Multas podem chegar a R$ 6.935 em casos de reincidência.

A mudança foi alvo de protestos e levou ao adiamento da vigência. Em março, a Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) ingressou com uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) no STF para questionar a medida, sob relatoria do ministro André Mendonça. A entidade alega falta de clareza na metodologia, o que abre brecha para sanções e eleva o risco de judicialização.

De acordo com o MTE, não haverá definição de metodologia específica, tema a ser decidido pela empresa junto a profissionais de saúde e segurança do trabalho. O ministério afirma que os documentos publicados esclarecem as estratégias para se adequar à norma, como a observação do trabalho real e oficinas participativas. A pasta diz que a mudança estabelece um processo obrigatório, mas não impõe uma ferramenta única, para evitar um modelo engessado.

A ADPF também cita a falta de diferenciação para empresas de diferentes portes. A entidade afirma que pequenos negócios não têm condições de aderir às demandas da norma. Segundo o MTE, a norma não dispensa os pequenos negócios da prevenção, mas eles podem usar instrumentos simplificados e compatíveis com sua realidade.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

Equipe interna que trabalha colaborativamente para elaborar, revisar e aperfeiçoar textos.

Ver todos os posts →