17/08/2026
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Vila do Pequenino Jesus acolhe 104 pessoas com deficiência

Vila do Pequenino Jesus acolhe 104 pessoas com deficiência

A Vila do Pequenino Jesus, localizada no Lago Sul, em Brasília, completou 17 anos no sábado (dia 15). A instituição acolhe atualmente 104 pessoas com deficiência, sendo que a maioria não possui mais referências familiares. O local oferece cuidados de saúde, alimentação, assistência e atividades para garantir qualidade de vida aos residentes.

O coordenador-geral, Jorge Deister, conhecido como Jorginho, contou que a iniciativa começou em 2009, no Rio de Janeiro. Na época, ele era marceneiro e tinha uma empresa com cerca de 30 funcionários. A mudança para Brasília ocorreu depois que um grupo da capital conheceu o trabalho realizado em Petrópolis e decidiu trazer a experiência para cá. Jorge e a então namorada, Cássia, que é fisioterapeuta, se casaram e aceitaram o desafio de iniciar o projeto.

No início, a casa atendia apenas cinco pessoas. Com o tempo, as visitas de Jorge aos hospitais de Brasília mostraram uma demanda maior. Ele percebeu que muitos pacientes permaneciam internados por longos períodos sem ter para onde ir. “A gente começou a ver que a gente não ia ficar limitado a cinco. A gente começou a crescer, crescer”, relatou. Entre 2024 e 2025, 25 pessoas deixaram hospitais para morar na Vila, em parceria com o Governo do Distrito Federal (GDF). A medida também ajuda a liberar leitos hospitalares.

A instituição conta com uma equipe de psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionista, médico, dentista e cuidadoras. Segundo Jorge, cerca de 90% dos acolhidos não têm vínculo familiar. Por isso, a Vila busca reproduzir um ambiente de casa, com atividades e passeios adaptados. Semanalmente, grupos de cinco ou seis acolhidos visitam shoppings e outros espaços públicos. A ação também serve para mostrar à sociedade a necessidade de acessibilidade. “Pra sociedade notar que as lojas têm que estar adaptadas”, disse.

Produção de fraldas e mutirão

Uma das principais ações da Vila é o mutirão de fraldas, realizado mensalmente. A instituição usa cerca de 800 fraldas por dia. A mobilização reúne aproximadamente 300 voluntários, principalmente no segundo sábado de cada mês. O trabalho consiste em colocar etiquetas e dobrar as fraldas.

A produção própria começou depois que uma campanha viralizou e gerou doações suficientes para três anos. Com a queda dos estoques, a Vila adquiriu uma máquina para fabricação. Com apoio da Fundação Banco do Brasil para a compra de insumos, um funcionário passou a produzir cerca de 400 fraldas por dia. A produção, porém, não cobre toda a demanda, e o mutirão continua sendo necessário.

Jorge destaca que o voluntariado deve ser uma experiência prazerosa. Ele aprendeu isso depois que um vizinho passou um dia inteiro limpando um lago da instituição, mas nunca mais voltou. “O voluntário tem que fazer aquilo que ele gosta para ele sentir vontade de voltar”, explicou.

O custo diário da Vila chega a aproximadamente R$ 8 mil a R$ 10 mil. O GDF mantém um convênio que contribui com recursos humanos, mas as demais despesas dependem de doações e do trabalho de mobilização da instituição.

Uma das histórias que marcaram Jorge foi a de Márcio, que ficou quatro anos internado após ser baleado. Durante uma visita, a esposa de Jorge perguntou o que ele precisava. A resposta foi: “Eu queria uma família que me dê carinho e amor”. Márcio foi adotado pelo casal e hoje mora com eles. “Márcio mora com a gente hoje e ele nos faz rir demais”, contou. Para Jorge, o trabalho é uma forma de enfrentar o abandono e lembrar que a dignidade não depende da capacidade de produzir.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

Equipe interna que trabalha colaborativamente para elaborar, revisar e aperfeiçoar textos.

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