14/05/2026
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Áudio de Flávio expõe cobrança e gera dúvida sobre efeito eleitoral

Áudio de Flávio expõe cobrança e gera dúvida sobre efeito eleitoral

Aliados do presidente Lula (PT) comemoraram a divulgação de áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Reservadamente, porém, expressam dúvidas sobre a capacidade do caso de influenciar o eleitorado bolsonarista.

Pré-candidato a presidente e principal adversário de Lula na eleição deste ano, Flávio enviou um áudio pedindo a Vorcaro dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). O senador nega qualquer irregularidade.

Vorcaro, pivô do escândalo de fraude financeira, teria pago R$ 61 milhões para financiar a produção, e o senador, filho de Jair Bolsonaro, cobrou mais repasses. O áudio foi revelado pelo site The Intercept Brasil nesta quarta-feira (13).

“Acho que foi batom na cueca para ele. Fica posando de mais honesto que todo mundo, dizendo que nasceu na Bahia [o caso Master], e acaba tomando pau”, disse o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

A menção de Wagner a acusações sobre a Bahia é por conta de um antigo sócio do Master, Augusto Lima, que tinha negócios questionados no estado. O banco ainda declarou pagamentos a uma empresa financeira da nora do senador, Bonnie Bonilha – a empresa afirma que prestou serviços ao Master, sem irregularidades. A Bahia é governada pelo PT desde 2007.

“Não precisa criar adjetivo, exagerar, nada [na campanha]. Só a verdade sobre Flávio Bolsonaro. Inclusive no caso do Banco Master. A história real de Flávio é a corda que vai enforcar a candidatura dele”, declarou o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares.

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. A avaliação de governistas é que a revelação do áudio cobrando Vorcaro tem potencial para desgastar o senador, mas há dúvidas sobre qual será o tamanho desse desgaste.

Integrantes do governo e do PT ressalvaram à Folha que o eleitorado bolsonarista é fidelizado. Por isso, a ligação entre Flávio e o dono do Master poderia ter um efeito limitado em suas intenções de voto.

Por outro lado, esses aliados também dizem acreditar que os desgastes da imagem de Flávio devem falar por si e contar contra ele na disputa eleitoral. Para a campanha de Lula, a ideia é explorar o fato sem excessos, de modo que uma possível investigação contra o senador não seja vista como interferência política por parte do presidente.

Aliados avaliam ainda que a citação do pré-candidato no escândalo poderia afastar dele eleitores que não são exatamente bolsonaristas, mas que rejeitam Lula. Parte desses votos, por essa análise, teria potencial para migrar para outro candidato de direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) ou Renan Santos (Missão).

Tanto Zema quanto Renan Santos se manifestaram logo depois da divulgação do áudio. Governistas entenderam os movimentos como uma tentativa de absorver esses votos, e acreditam que Caiado poderá tomar posição semelhante.

Flávio Bolsonaro publicou uma nota após a divulgação do áudio em que confirma ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas nega qualquer irregularidade. O texto também faz acenos à sua base política mais tradicional ao criticar, por exemplo, a Lei Rouanet. O mecanismo de financiamento de produções culturais é acusado pelo bolsonarismo de ser uma ferramenta para sustentar artistas de esquerda.

“O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou o senador em nota.

No fim da tarde desta quarta, a liderança do PT na Câmara protocolou uma notícia de fato criminal que pede instauração de inquérito e prisão preventiva de Flávio. No documento direcionado à PGR (Procuradoria-Geral da República), os parlamentares também pedem a expedição de mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados.

A divulgação do áudio em que Flávio cobra Vorcaro entra em uma série de outras notícias favoráveis para Lula desde a semana passada.

Na última quinta-feira (7), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os investigadores afirmam que Daniel Vorcaro pagava uma mesada de até R$ 500 mil para Ciro. O senador foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro.

No mesmo dia, Lula foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O americano, principal líder da direita mundial, elogiou o petista. A visita foi considerada um sucesso pelo entorno do presidente, que avalia ter conseguido isolar Flávio Bolsonaro. O bolsonarismo busca associar sua imagem à de Trump para se promover também na política interna.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

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