17/08/2026
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Família com seis dedos em Brasília inspira Brasil na busca pelo hexa

Família com seis dedos em Brasília inspira Brasil na busca pelo hexa

Em Brasília, a família Silva transformou uma condição genética em símbolo de identidade e inspiração para a Copa do Mundo 2026. Dos 22 integrantes do grupo, 14 nasceram com seis dedos nas mãos e nos pés, uma característica conhecida como polidactilia.

A servidora pública Silvia Santos da Silva, de 63 anos, vê a condição com orgulho. “Eu já sou hexa. O Brasil é que tem que correr atrás”, brinca ela, que trabalha na Secretaria de Turismo do Distrito Federal. A frase, publicada no Facebook durante a Copa de 2014 junto com uma foto de sua mão, viralizou e deu início à notoriedade da família.

A partir daí, veículos como Washington Post, USA Today e The Independent associaram os seis dedos ao sonho da sexta estrela da seleção brasileira. No bairro de Águas Claras, em Brasília, os Silva ficaram conhecidos como “Família Hexa”.

A condição genética é tão comum entre eles que muda a expectativa durante uma gravidez. “Perguntamos se tem seis ou cinco dedos. É uma questão de torcida em prol do seis. Isso desde o ultrassom”, afirma o advogado Assis Santos da Silva, de 66 anos, irmão de Silvia. “Se tem cinco (dedos), aí a pergunta é se é menino ou menina.”

A história começou no Maranhão, com Francisco de Assis Carvalho da Silva, pai de Silvia. Advogado, músico e dono da carteira número 1 do Clube do Choro de Brasília, ele recebeu o apelido de “Six” e ensinou os filhos a enxergar os dedos extras sem constrangimento. Dos cinco filhos dele, quatro herdaram a característica. “Por causa do meu pai aprendemos a conviver com seis dedos e achar normal. Ele sempre mostrou que é natural, alegre, uma dádiva”, conta Silvia.

A curiosidade das pessoas é constante. Colegas de trabalho perguntam como eles escrevem ou seguram objetos. Crianças pedem para ver as mãos. Silvana Santos da Silva, mãe de Maria Morena, de 20 anos, sempre avisava as professoras sobre a condição da filha. “Para evitar constrangimentos, eu sempre avisava às professoras que ela tinha seis dedos e que conseguia fazer tudo normalmente. Quando as pessoas entendem que é algo natural, passam a encarar a situação com tranquilidade.”

Algumas adaptações são necessárias. Uma das filhas de Silvia retirou o sexto dedo dos pés por questões estéticas e pela dificuldade de usar calçados abertos. Homens sentem incômodo com sapatos de bico fino. Para tarefas manuais, como usar uma tesoura ou pegar um lápis, eles dividem a mão com dois dedos de um lado e quatro do outro.

A condição também despertou interesse científico. Em 2017, Silvia e o filho João de Assis participaram de pesquisas na Universidade de Freiburg, na Alemanha. O estudo, feito em parceria com instituições britânicas e suíças, concluiu que pessoas com seis dedos plenamente desenvolvidos têm músculos, nervos e áreas cerebrais específicas para controlar o dedo extra. Em vez de sobrecarregar o cérebro, a estrutura amplia as possibilidades de movimento.

Os pesquisadores observaram que os participantes conseguiam realizar tarefas complexas com apenas uma das mãos, com movimentos independentes impossíveis para a maioria das pessoas com cinco dedos. Para João de Assis da Silva Carneiro, hoje engenheiro de software, a experiência foi marcante. “Foi uma oportunidade muito legal para descobrir como nossa biomecânica funciona. Além disso, é bom saber que podemos usar nossa característica para ajudar no desenvolvimento de ferramentas que possam beneficiar outras pessoas no futuro.”

O objetivo dos cientistas foi usar os dados como um gabarito para a engenharia e a robótica. Se o cérebro humano tem capacidade para controlar um membro a mais, engenheiros podem, no futuro, criar braços ou dedos robóticos extras para ajudar cirurgiões a operar.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

Equipe interna que trabalha colaborativamente para elaborar, revisar e aperfeiçoar textos.

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