17/08/2026
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Moody’s: gastos rígidos e política limitam ajuste fiscal na AL

Moody's: gastos rígidos e política limitam ajuste fiscal na AL

A Moody’s divulgou relatório apontando que os gastos elevados e rígidos são um obstáculo para a consolidação fiscal em países da América Latina e do Caribe. Segundo a agência, as despesas obrigatórias previstas em lei e os gastos difíceis de reduzir por questões políticas ou sociais diminuem a flexibilidade orçamentária. Isso dificulta a redução de déficits, a estabilização da dívida e a resposta a choques econômicos.

A análise comparou 18 países da região e mostrou que pagamentos de juros, salários, subsídios e transferências representam uma parcela grande e crescente das despesas. Com isso, os governos ficam mais dependentes de medidas de receita que podem não ser duradouras ou de cortes no investimento público para ajustar as contas.

A Moody’s afirma que melhorar a eficiência do gasto pode ajudar a conter o crescimento futuro das despesas, mas a polarização política tende a limitar a capacidade dos governos de implementar reformas, principalmente quando são necessárias mudanças legislativas ou constitucionais.

O relatório também destaca que o endividamento aumentou em 14 dos 18 países entre 2019 e 2025. A mediana da dívida subiu de 45% para 55% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. As projeções para 2026 indicam saldos fiscais mais fracos do que o necessário para estabilizar a dívida em casos como Brasil (Ba1 estável), México (Baa3 estável) e Colômbia (Baa3 estável).

Segundo a agência, onde a mobilização de receitas é mais limitada, os governos precisarão melhorar o resultado primário de forma duradoura, sem depender excessivamente de cortes em investimentos que sustentam o crescimento econômico.

A rigidez das despesas aumentou por causa dos custos de juros mais altos e das transferências ampliadas. Em 2024, salários, juros, subsídios e transferências responderam, em média, por 77% dos gastos do governo central, contra 75% em 2019. O Brasil tem a maior parcela de gastos rígidos, enquanto Peru (Baa1 estável) e Nicarágua (B2 estável) têm as menores.

A Argentina (B3 positiva) mantém uma estrutura de gastos muito rígida, mas, desde 2023, conseguiu reduzir as despesas totais e alcançou contas fiscais equilibradas. A Moody’s observa que, em vários países, o aumento da rigidez foi causado por juros e transferências maiores; em outros, a proporção mais elevada reflete a redução do gasto de capital, o que diminui o espaço para novos cortes.

A agência alerta que a polarização política crescente eleva os riscos fiscais ao dificultar o consenso para reformas. No Brasil e na Colômbia, as divisões políticas e as legislaturas fragmentadas devem tornar mais difícil aprovar mudanças que aumentem a flexibilidade fiscal e reduzam as exigências de gastos rígidos.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

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