Os assassinatos de indígenas no Brasil aumentaram em 2025 pelo terceiro ano seguido, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação consta em um relatório independente divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica.
Segundo a organização, a violência contra os povos indígenas se agravou de forma geral. O número de assassinatos chegou a 258 em 2025, com a maioria dos casos na Amazônia, região onde atuam grupos criminosos.
“Há um avanço grande da exploração garimpeira e da exploração madeireira, então é uma invasão sistemática” das terras indígenas, disse à AFP nesta sexta-feira (14) Roberto Liebgott, um dos autores do relatório.
No total, os assassinatos de indígenas nos três primeiros anos do governo Lula, entre 2023 e 2025, somaram 677 casos. No mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que incentivou a exploração econômica da Amazônia, foram registrados 651 casos.
“Seja em tempos de governo popular, em tempos de governos de direita, de extrema direita, o ambiente de violência contra os povos indígenas é sistemático”, afirmou Liebgott.
Lula tem o apoio da maioria das organizações indígenas brasileiras. O presidente tenta a reeleição em outubro e o principal adversário é Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.
No estado de Roraima, uma força-tarefa do governo atuou no ano passado para combater garimpeiros ilegais que invadem terras indígenas e atacam moradores. Liebgott afirmou, porém, que esses garimpeiros migraram para áreas indígenas ainda mais distantes.
Especialistas consideram essas áreas uma barreira contra o desmatamento e um fator para reduzir o aquecimento global. O Cimi também registrou 215 suicídios entre indígenas no período. “Temos observado ao longo dos últimos anos que o suicídio vem crescendo”, alertou Liebgott.
O Brasil tem cerca de 1,7 milhão de indígenas em uma população total estimada em 212 milhões de habitantes.
