08/08/2026
Jornal da Bahia»Notícias»Estudo aponta que fortalecimento do Congresso reduziu transparência

Estudo aponta que fortalecimento do Congresso reduziu transparência

Estudo aponta que fortalecimento do Congresso reduziu transparência

Um estudo divulgado pela Fundação Fernando Henrique Cardoso aponta que o fortalecimento recente do Congresso Nacional foi apoiado em regras informais. Essas regras concentraram poder nas presidências da Câmara e do Senado, o que reduziu a previsibilidade e a transparência dos trabalhos legislativos.

O documento é o segundo de uma série da fundação sobre os desafios institucionais do país. O primeiro, de outubro do ano passado, tratou do STF (Supremo Tribunal Federal). A nova análise foi feita pela pesquisadora Beatriz Rey, da Universidade de Lisboa, e por Sergio Fausto, diretor da fundação.

Os autores afirmam que, nas últimas duas décadas, o Congresso ganhou mais espaço na definição da agenda pública. Isso apareceu no aumento da produção de leis e na diversidade de temas tratados. Eles ponderam que o fortalecimento em si não é um problema, mas sim a forma como ocorreu. Segundo o texto, parte desse avanço se deu por vias informais, o que afetou o funcionamento das comissões, o uso de emendas orçamentárias e a organização da agenda.

Um dos exemplos citados é o sistema de votação híbrido. Ele foi criado na pandemia de Covid-19, mas continuou em uso em algumas sessões depois do fim da emergência sanitária. Em 2021, a PEC dos Precatórios foi votada com a participação remota de parlamentares que estavam em Glasgow, na Escócia, para a COP26.

Beatriz Rey diz que a presidência da Câmara tem poder de decidir quando usar esse formato. Com a dispensa da biometria, seria mais fácil obter quórum em votações de interesse do presidente da Casa. Outro ponto citado é o colégio de líderes. O grupo, que organiza a pauta do plenário, passou a funcionar em uma área entre o formal e o informal, com reuniões fora da Câmara. Na gestão de Arthur Lira (PP-AL), segundo a pesquisadora, nem se sabia se o encontro ocorreria. Um líder teria chegado ao local e sido questionado por Lira sobre o que fazia ali.

O estudo traz recomendações. Entre elas, estão a volta da deliberação presencial como regra, o reforço das comissões, critérios mais rígidos para juntar propostas, o retorno das comissões mistas para medidas provisórias e a formalização do colégio de líderes. A questão das emendas orçamentárias foi tratada à parte no documento, por ser um tema sensível. Os autores sugerem que as emendas sejam formuladas pelas comissões e que o limite financeiro não fique ligado à receita corrente líquida ou ao orçamento anterior corrigido pela inflação.

Na conclusão, Rey e Fausto dizem que as mudanças dependem de o Congresso criar um movimento de autorregulação. A pesquisadora afirma que há insatisfação interna com o atual modelo. Ela conta que, na eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara, ouviu parlamentares de diferentes espectros políticos reclamarem da imprevisibilidade do processo. Para ela, decisões tomadas com menos espaço de debate resultam em políticas públicas mais fracas.

Sobre o autor: Equipe de Conteudo

Equipe interna que trabalha colaborativamente para elaborar, revisar e aperfeiçoar textos.

Ver todos os posts →
Ver todo o conteúdo